O Carbono Verde e o Agro 

Por Michelle Pozza Consultora da FIER 
 

 

A busca pela redução de emissões de gases de efeito estufa conta com a diminuição do desmatamento e da degradação florestal. Nesse sentido, em 1997, ficou definido no Protocolo de Kyoto uma cota máxima de emissão de gases de efeito estufa por país. Desta forma, a redução das emissões passou a ter valor econômico. 
Ficou determinado em convenção que a tonelada de dióxido de carbono corresponde a um crédito de carbono. Este crédito também pode ser negociado internacionalmente. 


Companhias como Microsoft, Apple e Volvo, investem nestes créditos, bem como em projetos para neutralizar suas emissões de carbono até 2030. 


Algumas das formas para gerar os respectivos créditos são: a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis, a campanhas de consumo consciente e a contribuição na diminuição do desmatamento. 
Atualmente, no Brasil, está sendo criada a regulamentação para compra e venda de créditos de carbono, por meio do Projeto de Lei 528/21, em trâmite na Câmara dos Deputados. 


É importante mencionar, que para conter o aquecimento global, o planeta precisa reduzir as emissões em 11 bilhões de toneladas de CO2 por ano. O Brasil teria capacidade de absorver da atmosfera 2,7 bilhões de toneladas de gases por ano, segundo pesquisa da petroleira Shell.  


Para isto, é necessária a comprovação por meio da aplicação de tecnologias, o resgaste do carbono em toda a atividade agrícola, bem como estar em conformidade com a determinação mundial. 


O mercado de carbono também é cabível conforme o nível de preservação ambiental das propriedades rurais, cujo percentual pode variar entre 20% a 80% da área, conforme sua localização. Uma estimativa do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) aponta que somente a preservação da Floresta Amazônica teria o potencial de gerar US$ 10 bilhões ao ano para o Brasil. 


Por outro lado, afirmou a geóloga Lúcia Ortiz, em palestra ministrada no Senado Federal: “A lógica da biodiversidade não é reproduzível, a menos que o interesse seja não o meio ambiente, mas a criação desses mercados. E, para criar mercados, precisamos de uma indução de escassez de modo a atribuir preço ao que vai ser transformado em commodity, ou seja, o ar, o direito de poluir, a água, a biodiversidade”, afirmou a geóloga.

 
Por fim, o mercado de carbono tem crescido rapidamente e caminha para ser uma nova moeda mundial. Espera-se que com este novo modelo de crescimento, qual seja, a preservação geradora de lucro não só no sentido existencial dessas e das próximas gerações, mas também financeiro, a sustentabilidade global passe a ser efetiva e realmente, atitude intrínseca em todos os indivíduos.

 
Fontes: Estadão, ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, Senado Federal – notícias